Preço atrativo faz brasileiro substituir gás por carvão

As vendas de carvão subiram mais de 50% nas festas de fim de ano, e devem continuar crescendo agora nas férias e no Carnaval. O carvão ficou ainda mais atraente depois que começou a valer a nova política de preços da Petrobras.

Em junho, com o golpista de Temer (PMDB) na Presidência da República e Pedro Parente na Petrobras, a empresa alterou sua política para esse derivado do petróleo. A partir de então, todo mês, a estatal reajusta o valor cobrado às distribuidoras, tendo como referência a cotação da matéria-prima (butano e propano) no mercado europeu e o câmbio (relação entre real e dólar). Reajustados, os novos preços são repassados por distribuidores e revendedores para o consumidor final.

A mudança, segundo o economista, explica os sucessivos aumentos nos últimos meses. “Ficamos submetidos ao câmbio e às variações no mercado europeu. Começamos a perceber, então, que há um aumento mensal por conta desses parâmetros”, detalha.

Ele compara essa situação ao que ocorreu com a gasolina, cuja política de preços, embora tenha diferenças, também está atrelada a flutuações no mercado internacional. “Quando acontece um furacão nos EUA, como no mês passado, e para a produção de algumas refinarias, a gente paga mais caro pela gasolina aqui no Brasil. A mesma coisa com o gás de cozinha: se acontece alguma coisa na Europa, a gente é afetado aqui”, comenta.

Privatismo

Para Felipe Pinheiro, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), com Temer, a Petrobras a passa ter como única preocupação o lucro. “Não pensam que o gás de cozinha é usado pela população pobre”, critica.

Ele também ressalta o efeito negativo da privatização, que tem impacto no preço final. “Vão produzir lá fora, gerar empregos e receita fora e depois vender aqui por um preço alto”, avalia.

Felipe lembra que a Liquigás, outrora pertencente à Petrobras, já foi vendida à Ultragaz. “Essa empresa praticamente vai monopolizar o mercado. Além disso, a Petrobras quer vender parte do setor de refino de petróleo, fazer parcerias com o capital privado. A BR Distribuidora está para ser privatizada. Aos poucos, a Petrobras está se desfazendo de todo o setor e isso tem um reflexo nos preços”, conclui o sindicalista.